Reflexão

Sabedoria ou sapiência (em grego Σοφία, “sofía”) é o que detém o “sábio” (em grego σοφός, “sophos”). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, φιλοσοφία -“amor à sabedoria” (filos/sofia).

Há também o termo “Phronesis” – usado por Aristóteles na obra Ética a Nicômaco para descrever a “sabedoria prática”, ou a habilidade para agir de maneira acertada”.

É um conceito diferente de “inteligência” ou de “esperteza“.

Mesmo para “sophia” há conceitos diferentes: muitos fazem distinção entre a “sabedoria humana” e a “sabedoria divina” (teosofia).

Sabedoria humana seria a capacidade que ajuda o homem a identificar seus erros e os da sociedade e corrigi-los. Sabedoria divina será provavelmente a capacidade de aprofundar os conhecimentos humanos e elaborar as versões do Divino e questões semelhantes.

Mas para nós cristãos sabedoria é:

“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre.” (Sl 111. 10)

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19/04/2010 – 16:44

Avanços da Arqueologia Bíblica nos últimos anos desmontam céticos

Descobertas arqueológicas jogam por terra argumentos dos céticos contra a historicidade da narrativa bíblica

No final de 2009, próximo ao Natal, uma equipe de arqueólogos divulgou ter encontrado ruínas de uma residência na cidade de Nazaré, no norte de Israel, datada da época de Jesus. Mês passado, foi a vez de outro grupo de arqueólogos anunciar a descoberta de uma rua de mais de 1,5 mil anos, utilizada por peregrinos cristãos, na cidade velha de Jerusalém (ver matéria na página 13). Tratam-se de duas grandes descobertas, em um período curto de tempo, que estão relacionadas ao relato histórico da Bíblia Sagrada ou à história da Igreja.

Mas, esses acontecimentos recentes são apenas uma pequena amostra da efervescência da Arqueologia Bíblica nos últimos anos. Simplesmente, devido ao maior número de investimentos e recursos para essa área nas últimas décadas, especialmente depois do estabelecimento do Estado de Israel e do início das intensas atividades dos arqueólogos judeus, a maioria das mais importantes descobertas arqueológicas relacionadas aos relatos das Sagradas Escrituras ocorreram nos últimos 70 anos. Tais descobertas, inclusive, derrubaram a maioria das argumentações usadas pelos céticos para contestar a historicidade dos relatos bíblicos. Vejamos, a seguir, apenas alguns dentre centenas de exemplos que poderiam ser listados.

O Evangelho de Lucas fala sobre o nascimento de Cristo mencionando um censo decretado por Cirênio, governador da Síria (Lc 2.2). No final do século 20, arqueólogos descobriram um Cirênio com seu nome gravado em uma moeda que o coloca como procônsul da Síria e Cilícia de 11aC a 4aC, época do nascimento de Cristo, conforme destaca o arqueólogo John McRay, em sua obra Archaeology and the New Testament (Grand Rapids, Baker Book House, 1991, págs. 154 e 385).

Além disso, o arqueólogo Randall Price lembra que “o censo de Cirênio, também mencionado por Lucas em Atos 5.37, tem numerosos paralelos em formulários de censo de papiro que datam do 1o século aC ao 1o século dC” (Arqueologia Bíblica, CPAD, pág. 259). Price cita como exemplos o Papiro Oxirrinco 255 (48dC) e o Papiro 904 do Museu Britânico (104dC), que ordenam o retorno compulsório de pessoas ao local em que nasceram para levantamento de censo, da mesma forma como em Lucas 2.3-5.

Herodes é citado como rei da Judéia na época do nascimento de Cristo (Mt 2). Hoje, sabe-se que Herodes, o Grande, reinou na Judéia de 37aC a 4dC. As ruínas de um dos seus palácios, o chamado Heródium, recentemente exposto em fotos que circularam por todo o mundo, começaram a ser escavadas desde 1973 pelo arqueólogo judeu Ehud Netzer, e comprovam o perfil do infame rei. Netzer, inclusive, é famoso por ter encontrado em 1996, em Massada, o nome e título do rei Herodes em um rótulo de vinho datado de 73dC. “A inscrição em latim tem três linhas, forma padrão encontrada em tais inscrições. A primeira linha é uma data e indica o ano em que o vinho foi feito. A segunda linha dá o lugar e o tipo específico do vinho, e na última linha temos o nome ‘Herodes, Rei da Judéia’”, contou Netzer em entrevista publicada na revista israelense Eretz, edição de setembro/outubro de 1996.

Outro personagem da narrativa da vida de Cristo cuja existência foi comprovada arqueologicamente é o sumo sacerdote Caifás que, hoje se sabe, foi líder do Sinédrio de 18dC a 36dC. Foi ele que presidiu o julgamento de Jesus e é várias vezes citado (Jo 11.49-53; 18.14 e Mt 26.57-68). Foi no pátio de casa de Caifás que Pedro traiu Jesus (Mt 26.69-75). Essa casa foi encontrada por acidente em novembro de 1990, quando trabalhadores estavam construindo um parque aquático na Floresta da Paz em Jerusalém, ao sul do elevado onde os judeus afirmam ser o monte do Templo.

O local encontrado foi identificado como sendo a casa de Caifás porque ali foram encontrados 12 ossuários de calcário e, entre eles, simplesmente o ossuário contendo os restos mortais do sumo sacerdote. Randall Price relata a descoberta: “Um dos ossuários era requintadamente ornamentado e decorado com rosáceas detalhadas. Obviamente pertencera a um patrono rico ou de alta posição que poderia dar-se ao luxo de possuir tal caixa. Na caixa havia uma inscrição. Lê-se em dois lugares Qafa e Yehosef bar Qayafa, que significa ‘Caifás’ e ‘José, filho de Caifás’. O Novo Testamento refere-se a ele apenas como Caifás, mas Josefo apresenta o nome completo: ‘José, que era chamado Caifás, o sumo sacerdote’. Dentro havia os ossos de seis pessoas diferentes, inclusive de um homem de 60 anos, provavelmente Caifás” (Arqueologia Bíblica, CPAD, pág. 267).

Finalmente, outro personagem contemporâneo de Jesus cuja historicidade foi comprovada arqueologicamente é Pilatos (Jo 18.36-37 e 19.12-15,21-22). Sabe-se hoje que a residência oficial de Pilatos era em Cesaréia Marítima, cidade litorânea do Mediterrâneo. Em 1961, quando o governo italiano patrocinava escavações no teatro romano de Cesaréia, foi descoberta uma placa de pedra de 60cm por 91cm trazendo o nome de Pilatos. Hoje conhecida como Inscrição de Pilatos, a laje é, segundo especialistas, um autêntico monumento do primeiro século que havia sido remodelado no quarto século para a construção do teatro romano. De acordo com eles, trata-se de um monumento para dedicação de Pilatos a um Tibérium – um templo para adoração ao imperador romano Tibério César, que governou durante o mandato de Pilatos na Judéia.

A Inscrição de Pilatos está em quatro linhas, é escrita em latim e apresenta o título “Pôncio Pilatos, governador da Judéia”, exatamente o mesmo título encontrado em Lucas 3.1. “Esse foi o primeiro achado arqueológico que menciona Pilatos e mais uma vez testemunha a precisão dos escritores bíblicos. Esse entendimento de tais mandatos oficiais indica que os autores viveram durante a vigência do seu uso e não um século ou dois depois, quando tais mandatos teriam sido esquecidos”, destaca Randall Price.

Com o passar dos séculos, muitos lugares e cidades citadas na Bíblia durante o ministério de Jesus foram descobertos, comprovando mais uma vez a historicidade do relato bíblico. Um desses lugares foi o Tanque de Betesda, lugar do milagre da cura de um paralítico por Jesus (Jo 5.1-15). Ele foi encontrado em 1903 na Jerusalém Oriental por Fathers White, e é datado do terceiro século a.C., o que comprova o relato bíblico de que o tanque já era um tradicional e lendário local de ritual de cura na época de Jesus.

Outro lugar descoberto foi a Sinagoga de Cafarnaum, antiga cidade natal do profeta Naum (Cafar significa aldeia) e lugar onde Jesus desenvolveu boa parte de seu ministério. Ao lado do mar da Galiléia, onde se encontrava a cidade, foi encontrada em 1983 uma sinagoga do primeiro século, com paredes de basalto preto. A descoberta foi divulgada pela conceituada revista Biblical Archaeology Review, edição de novembro/dezembro de 1983. Foi nessa sinagoga que Jesus operou muitos milagres (Mt 8.5-13 e Lc 7.1-10).

Em Cafarnaum também foi encontrada uma casa datada do primeiro século. O detalhe é que suas paredes são tão estreitas que não agüentariam um telhado de alvenaria. Descobriu-se, em seguida, que os telhados das casas da região eram, na época, de ramos de madeira recobertos com terra batida. Tais telhados encaixam-se perfeitamente com a descrição bíblica do telhado de uma casa em Cafarnaum na época de Jesus, uma vez que a passagem bíblica afirma que foi cavado um buraco no teto rapidamente para descer um paralítico até onde Ele estava (Mc 2.4). A descoberta foi publicada também na Biblical Archaeology Review, edição de setembro/outubro de 1993.

Em 1989, perto de Cafarnaum, foi descoberta Betsaida, cidade natal de Pedro, Felipe e André (Jo 1.44 e 12.21). Ali foram encontradas, em escavações do arqueólogo israelense Rami Arav, evidências de uma indústria pesqueira, com muitas âncoras e anzóis, o que está de acordo com a narrativa bíblica. Tais descobertas foram relatadas por Ariv no livro A City by the North Shore of the Sea of Galilee, publicado em inglês pela Thomas Jefferson University Press em 1995.

Em 1993, foi descoberta a Estela de Tel Dan. Trata-se duma pedra de basalto escuro que menciona a “Casa de Davi”, com a inscrição bytdwd, (byt casa dwd Davi). Em 1996, foi descoberta a inscrição de Ecrom (Tel Mikné) contendo o nome da cidade filistéia de Ecrom e uma lista dos seus reis. Em 1998, foi descoberta a Sinagoga de Jericó datada do ano 75 a.C. Em 2001, foi descoberta a Estela de Joás, rei de Judá. Em 2007, foi encontrado o túmulo de Herodes.

Também recentemente foram encontradas a cidade de Caná da Galiléia e o Tanque de Siloé, mencionados no Evangelho de João (Jo 2 e 9).

Arqueólogos israelenses anunciaram em 22 de dezembro de 2004 a descoberta, na Galiléia, do lugar onde estava localizada a aldeia de Caná, citada na Bíblia como o local onde Jesus realizou seu primeiro milagre, transformando água em vinho durante um casamento (Jo 2.1-11). Curiosamente, foram encontrados no local jarros de pedra do mesmo tipo e da mesma época dos usados no milagre efetuado por Jesus. A descoberta inclui ruínas de mais de um metro e meio de altura que datam das épocas helenística, romana e bizantina na Terra Santa. Pedras talhadas e utensílios caseiros foram desenterrados no local a uma profundidade de quase dois metros.

Em janeiro de 2005, dias depois da descoberta da Caná bíblica, foi a vez do Tanque de Siloé, outra referência a um milagre de Jesus no Evangelho de João (João 9), ter sido encontrado. Uma equipe de arqueólogos descobriu em Jerusalém vestígios de pedra que seriam a Piscina (Tanque) de Siloé, onde um homem cego foi se lavar sob a orientação de Cristo e voltou vendo (Jo 9.7). A piscina fica no bairro árabe de Siloé. Durante os trabalhos, que duraram seis meses, eles descobriram que o tanque tem 50 metros de comprimento e era abastecido por uma canal vindo da Fonte de Siloé. A piscina de pedra tem degraus de acesso por todos os lados.

Em 22 de fevereiro de 2010, a célebre arqueóloga judia Eilat Mazar, que já tem em seu currículo descobertas sensacionais como a do Palácio de Davi, anunciou a descoberta de uma seção de um muro da cidade antiga de Jerusalém, datado do décimo século a.C., construído pelo rei Salomão, e que trata-se de um dos muros em torno do primeiro Templo de Jerusalém, erguido pelo filho e sucessor de Davi no trono de Israel. As escavações arqueológicas, dirigidas pela Dra. Eilat Mazar, foram realizadas com o apoio da Universidade Hebraica de Jerusalém.

A seção da muralha da cidade revelada tem exatos 70 metros de extensão e 6 metros de altura, e está localizada na área conhecida como Ofel, entre a cidade de Davi e a parede sul do Monte do Templo. No complexo das escavações da muralha foram descobertas ainda uma portaria interna de acesso à cidade, uma estrutura real junto ao portão e uma torre no canto da muralha com vista para uma parte substancial do Vale do Cedrom e adjacências.

As escavações na área de Ofel foram realizadas ao longo de três meses e com o financiamento de Daniel Mintz e Berkman Meredith, um casal de judeus de Nova York interessados em Arqueologia Bíblica, e que têm financiado boa parte das escavações empreendidas pela arqueóloga Eilat Mazar. O financiamento tem sido suficiente para suprir os gastos com a conclusão das escavações arqueológicas, com o processamento e análise dos achados, e com os trabalhos de conservação e preparação do local para sua visualização por parte do público, pelo Parque Arqueológico Ofel e pelo Parque Nacional em torno das muralhas de Jerusalém.

As escavações foram realizadas em cooperação com a Autoridade de Antiguidades de Israel, a Autoridade Israelense de Natureza e Parques, e a Companhia de Desenvolvimento da Jerusalém Oriental. Elas contaram ainda com o auxílio de alunos do Curso de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, de alunos voluntários do Herbert W. Armstrong College, em Tulsa, Oklahoma (EUA), e de trabalhadores contratados para participaram nos trabalhos de escavação.

“A força e a forma de construção do muro da cidade indicam um alto nível de engenharia”, descreveu Mazar. O muro fica no extremo leste da área de Ofel, numa localização estratégica no alto, a oeste do Vale do Cedrom.

“Uma comparação entre esta última descoberta com muralhas e portões do período do Primeiro Templo, assim como a cerâmica encontrada no local, nos permitem postular com um grande grau de certeza de que a parede que foi revelada é a que foi construída pelo rei Salomão em Jerusalém na última parte do século 10 a.C. Esta é a primeira vez em que é encontrada em Jerusalém uma estrutura idêntica às descrições bíblicas das construções empreendidas na época do rei Salomão. O muro é idêntico com o relato na Bíblia e as características de resistência da construção demonstram uma engenharia de alto nível”, declara a arqueóloga.

A Bíblia relata que Salomão construiu, com o auxílio dos fenícios, o Templo de Jerusalém e o seu novo palácio, e cercou a cidade com uma muralha muito provavelmente ligada às paredes mais antigas da cidade de Davi. Mazar lembra especificamente o terceiro capítulo do Primeiro Livro dos Reis de Israel, que diz: “Até que acabasse de edificar a sua casa, e a casa do Senhor, e a muralha de Jerusalém em redor”, 1Rs 3.1.

Os 6 metros de altura da porta de entrada do complexo do muro da cidade são construídos no estilo típico da época do Primeiro Templo, como pode ser encontrado em Megido, Beersheva e Ashdod. Há ainda, de forma simétrica e idêntica, quatro pequenas salas, duas de cada lado do corredor principal. Também há na estrutura uma grande torre adjacente, cobrindo uma área de 24 metros por 18 metros, que se destinava a servir como uma torre de vigia para proteger a entrada da cidade. A torre situa-se hoje sob a estrada que fica nas proximidades das escavações, e ainda precisa ser totalmente escavada. Durante o século 19, mais precisamente em 1867, o arqueólogo britânico Charles Warren já havia realizado uma vistoria no subsolo da área e descrito pela primeira vez o esboço da grande torre, mas não prosseguiu nas escavações nem muito menos chegou a datar a torre.

“Parte do complexo do muro da cidade serviu como espaço comercial e parte como centrais de segurança”, explica a arqueóloga Eilat Mazar. Isso confirma o costume do povo judeu à época, conforme podemos ver, por exemplo, quando Boaz procurou resgatar Rute às portas da cidade: “Enquanto isso, Boaz subiu à porta da cidade e sentou-se, exatamente quando o resgatador que ele havia mencionado estava passando por ali. Boaz o chamou e disse: ‘Meu amigo, venha cá e sente-se’. Ele foi e sentou-se. Boaz reuniu dez líderes da cidade e disse: ‘Sentem-se aqui’. E eles se sentaram”, Rt 4.1-2.

Segundo Mazar, dentro do pátio da grande torre havia atividades públicas. Ele servia como um ponto de encontro do público, como um lugar para a realização de atividades comerciais e de culto, e como um local para as atividades econômicas e jurídicas.

Além dos exames de datação realizados, cacos de cerâmica descobertos no preenchimento do piso inferior do edifício real, perto da portaria, também
atestam que a datação do complexo está correta. Ele é mesmo do século 10 a.C.

O que foram encontrados no chão são restos de jarros de armazenagem, com cerca de 1,15 metro de altura, que sobreviveu à destruição pelo fogo e que foram encontrados em quartos que aparentemente serviram de área de armazenagem no piso térreo do edifício. Em um dos frascos, há uma inscrição em hebraico antigo parcial indicando que pertencia a um alto funcionário do governo, um funcionário de nível superior.

“Os frascos que foram encontrados são os maiores já encontrados em Jerusalém. A inscrição que foi encontrada em um deles mostra que pertencia a um funcionário do governo, aparentemente a pessoa responsável por supervisionar o fornecimento de produtos de padaria para a corte real”, explica Mazar.
Além dos cacos de cerâmica, objetos que fazem referência ao culto hebreu também foram encontrados na área, assim como impressões de selos na jarra, onde pode ser lido “Ao rei”, o que atesta a sua utilização dentro da monarquia. Também foram encontrados impressões de selos com nomes hebraicos e também indicando a natureza real da estrutura. A maioria dos pequenos fragmentos descobertos veio de peneiração intrincada feita com a ajuda do Projeto de Restauração Monte do Templo, dirigido pelo Drs. Gabriel Barkai e Zweig Zachi, e sob o patrocínio da Autoridade Israelense de Parques e da Natureza, e da Fundação David.

Entre a grande torre na entrada da cidade e o edifício real, os arqueólogos descobriram uma seção da torre do canto que é de 8 metros de comprimento e 6 metros de altura. A torre foi construída em pedra talhada de invulgar beleza. A leste do edifício real, também foi revelada uma outra seção da muralha da cidade, que se estende por cerca de 35 metros. Essa seção é de 5 metros de altura e é parte do muro que continua a nordeste.

Salomão foi rei de Israel por 42 anos, de 970 a.C. a 928 a.C. Seu reinado foi marcado pela sabedoria e pela prosperidade. Além de construir o magnífico Templo do Senhor no Monte Moriá, aposentando a estrutura desmontável do Tabernáculo, ele ergueu o palácio real em Ofel, um grande aqueduto e um forte para garantir a segurança da cidade. Durante o reinado de Salomão, foram feitas alianças comerciais com o Egito, a Arábia, Tarshish (hoje Espanha) e o sul da Índia.

No ritmo em que vão as descobertas na Arqueologia, mais achados são esperados nos próximos anos, os quais, com certeza, ganharão as páginas dos jornais e dos sites de notícias, como o CPAD News.

Fonte: CPADNEWS

Principais Traduções Bíblicas

Targuns 

Quando o povo de Israel voltou do exílio babilônico, já não sabia mais falar o hebraico. E, para que as Escrituras fossem entendidas, surgiu a necessidade de se ler o texto em hebraico e se explicar em aramaico.

Targum é a palavra hebraica que significa “tradução”, mas na prática traduções, paráfrases e comentários do Antigo Testamento têm sido assim chamados. Os Targuns não são traduções literais do texto original, mas explicações e comentários que os rabinos faziam em aramaico para compreensão do texto.

Os Targuns mais importantes que temos são os de Jônatas e de Ônquelos. Embora não tenham a autoridade de uma tradução, os Targuns ajudam a entender algumas passagens obscuras e difíceis do Antigo Testamento e também dão uma boa contribuição no conhecimento da história da interpretação. Em um comentário sobre a passagem bíblica que fala do rei Assuero e da rainha Vasti, o Targum diz que a única coisa que a rainha deveria vestir para se apresentar aos seus convidados seria a coroa, ou seja, estaria inteiramente nua.

    

Septuaginta

 

     Septuaginta é a versão grega do Antigo Testamento. Foi feita no século III a.C. para que judeus que viviam fora de Israel pudessem ler as Escrituras no idioma universal da época, o grego. Diz a lenda que 70 ou 72 anciãos eruditos fizeram a tradução em 72 dias. Daí o nome Septuaginta. Não cremos que a tradução foi feita neste tempo record.

     A Septuaginta é a tradução mais importante do Antigo Testamento. Jesus e os escritores do Novo Testamento fizeram muitas citações da Septuaginta. Além disso, ela foi base para muitas traduções. Esta tradução também foi importante para expandir o conhecimento das Escrituras, visto que o hebraico era um idioma morto na época da escrita do Novo Testamento.

 

Vulgata Latina

 

     A palavra vulgata, originalmente, vem de vulgo, palavra que se refere àquilo que é do povo. Foi uma tradução da Bíblia inteira feita por Sofrônio Eusébio Jerônimo no fim do século IV d.C. para o latim. A princípio, a tradução geral do Antigo Testamento deixou de lado os livros apócrifos, porque ele não queria que os mesmos fossem incluídos, embora ele houvesse traduzido os livros de Judite e Tobias.

Ele traduziu o Antigo Testamento do texto hebraico e fez uma revisão da versão do Novo Testamento chamada Vetus Latina. A tradução foi feita por ordem do Bispo de Roma Damaso. Jerônimo também usou textos gregos para basear a sua tradução.

Com a invenção (ou aperfeiçoamento) da imprensa por Guttemberg e com a Reforma Protestante, a Bíblia passou a ser mais popular. Até este tempo, um exemplar da Bíblia era muito caro, não sendo acessível ao povo de uma forma geral. A Vulgata Latina foi o primeiro livro impresso por Guttemberg, uma grande Bíblia com 1282 páginas, onde cada página tinha duas colunas com 42 linhas cada coluna. Recebe o nome de Vulgata, pois foi traduzida na língua do povo (vulgo). A Vulgata foi bastante criticada quando foi feita, mas com o tempo a sua importância foi reconhecida.

 

 

Peshita

 

A Peshita é a versão siríaca do Antigo Testamento hebraico e também do Novo Testamento. O termo Peshita significa simples, comum. Foi feita por eruditos do hebraico, que provavelmente eram cristãos, e fizeram esta tradução para os cristãos da Síria. No Novo Testamento, são excluídos desta tradução os seguintes livros: II Pedro, II e III João, Judas e Apocalipse. Alguns acreditam que a tradução foi feita por Jerônimo.

É tida como uma versão importante e como um trabalho muito bem feito. Hoje existem mais de 300 manuscritos desta versão, um número bem significativo.

 

Os Manuscritos do Mar Morto e Qumran

 

Foram descobertos, provavelmente, no ano de 1947, em uma série de cavernas da margem ocidental do Mar Morto. O Mar Morto é um grande lago salgado. É chamado de Mar Morto pelo fato de neste lago não haver vida, devido à grande quantidade de sal. Está entre Israel e a Jordânia, cerca de vinte e quatro quilômetros a leste de Jerusalém. É um lago que tem uma média de profundidade de 300 metros e seu trecho mais profundo chega a 410 metros (RN Champlin).

Alguns destes manuscritos foram achados em cavernas de Qumran, que fica, aproximadamente, a 16 quilômetros a oeste de Jerusalém. As primeiras descobertas foram feitas por um homem que procurava sua cabra perdida. A partir daí, os arqueólogos vasculharam outras cavernas e, em alguns anos, acharam muitos outros manuscritos.

 

O Conteúdo Dos Manuscritos

 

Contém fragmentos dos livros de todo o Antigo Testamento, exceto o livro de Ester. Muitos manuscritos contém as regras de disciplina religiosa da comunidade de Qumran. Alguns acreditam ser os essênios, pois contém regras de rigor ascético e mostram uma comunidade separatista, uma espécie de remanescente. É interessante notar como as seitas e algumas igrejas-seitas-evangélicas tomam para si o título de “remanescente fiel”.

Foram achados manuscritos bem conservados de Daniel e dos Salmos e um targum em aramaico do livro de Jó, datado do século I a.C. Também foram descobertos manuscritos em más condições, com trechos dos livros de Reis, Lamentações e Deuteronômio.

 

Os fragmentos do livro de Samuel, que são os mais antigos encontrados, datam de 225 a.C. Dos manuscritos encontrados na primeira caverna, o mais importante é um rolo de Isaias. Foram achados também manuscritos com cânticos, trechos de livros apócrifos e obras apocalípticas extra-bíblicas.

 

Sua Grande Importância

 

 (1) Os manuscritos de Qumram são mais antigos do que os mais antigos fragmentos do Antigo Testamento existentes e preenchem a lacuna que havia, no estudo do hebraico, quanto à história da evolução da sua escrita e do seu modo de soletrar.

 

(2) Há nova luz sobre a interpretação de passagens difíceis do Velho Testamento.

 

The King James Version

 

A versão do Rei Tiago (The King James Version) foi feita no ano de 1611, por influência dos puritanos (grupo de protestantes ingleses radicais) e patrocinada pelo Rei Tiago, que subiu ao trono da Inglaterra em 1603. Esta versão é baseada na tradução de William Tyndale, esta feita a partir dos originais hebraicos e gregos. Foi proposta por um homem chamado John Reynolds, da universidade de Oxford, que deseja ver uma tradução da Bíblia bem feita para o inglês.

A reforma protestante, com sua pregação de que o povo deveria ter acesso às Escrituras, criou uma demanda por bíblias muito grande. Homens como Lutero, Calvino, John Huss, Savonarola, Knox e outros acenderam uma chama nos corações do povo europeu que a corrupção do clero havia apagado. Desde o século XII grupos protestantes como os petrobrussianos, os valdenses e os albigenses vinham se opondo à atitude da igreja de omitir as Escrituras do povo e pregar doutrinas que eram (e ainda são) baseadas na tradição.

A Versão do Rei Tiago (assim chamada por nós) foi feita por um grupo de 47 pessoas, as quais foram divididas em 6 grupos, sendo 3 responsáveis pela tradução do Velho Testamento, dois pelo Novo Testamento e um pelos livros apócrifos. O trabalho foi terminado depois de 4 anos e dedicado ao Rei Tiago. Com o passar dos anos, esta versão se tornou a mais popular tradução de língua inglesa. Alguns séculos depois a King Version sofreu revisões, o que no começo não foi aceito, mas acabou sendo feito devido à necessidade de atualização pelo desenvolvimento e mudança do idioma e da descoberta de manuscritos mais antigos. A publicação da revisão se deu na metade do século XX.

 

Tradução de Lutero

 

Martinho Lutero é considerado o principal dos reformadores. Ele estava no lugar certo e na hora certa. Se tivesse vivido nos séculos XIII ou XIV, provavelmente teria morrido como mártir. Tendo vivido, porém, no século XVI, usufruiu da imprensa recém inventada por Guttemberg e aproveitou-se dos diversos movimentos de “pré-reforma” feitos por grupos anteriores.

Foi um grande teólogo e escritor. Lutou contra a corrupção da igreja e não negou a sua fé. É um dos responsáveis pela nossa liberdade de expressão religiosa, conquistada em grande parte pelos reformadores. O nosso hábito de consultar a Bíblia e lê-la em nossos cultos é um costume herdado da reforma, o qual Lutero tem grande parte.

Uma das grandes obras de Lutero é a sua tradução da Bíblia para o idioma alemão. Lutero não foi a primeira pessoa a traduzir a Bíblia para o alemão, pois já existiam versões baseadas na Vulgata. Ele, porém, buscou uma tradução de melhor qualidade, mais adequada a língua do povo e também baseada no grego e no hebraico, não no latim. Lutero primeiro traduziu o Novo Testamento, terminando-o em 1522, e em 1532 publica o Antigo Testamento. Além disso, ele ficou por cerca de 12 anos trabalhando no aperfeiçoamento da tradução, mesmo após o término do trabalho.

A tradução de Lutero, além de dar acesso ao povo às Escrituras, contribuiu para o desenvolvimento do idioma alemão e se tornou base para as seguintes traduções: sueca, holandesa, finlandesa, dinamarquesa e outras. Além da tradução da Bíblia para o alemão, Lutero escreveu livros teológicos e compôs algumas músicas, sendo a mais conhecida delas “Castelo Forte”.

Textos Massoréticos

 

O termo massoreta significa “guardiões da tradição”. Os massoretas foram um grupo de rabinos (mestres da lei judaica) que tiveram o cuidado de pegar os textos hebraicos do Antigo Testamento das Escrituras e inserir vogais. Iniciaram este trabalho em 500 d.C. e continuaram por cerca de 1.000 anos. Já no ano 900 d.C., o termo “massorético” passou a ser usado para designar o texto do Antigo Testamento produzido por este grupo.

No alfabeto hebraico não havia vogais. E, ao ler um texto, a interpretação das palavras ficava confusa, principalmente para quem não tinha grande habilidade no hebraico. Os massoretas fizeram este árduo trabalho, lendo e interpretando o texto, e inserindo vogais nos mesmos, para que a leitura se fizesse mais prática e fácil para as pessoas.

Após o cativeiro babilônico os judeus perderam a habilidade de falar o hebraico. Passaram a falar o aramaico. E, com o tempo, o hebraico foi se tornando um idioma morto. Com isso, houve um receio dos judeus de que a língua morresse e os escritos passassem a serem lidos de forma errada. Este também foi um dos motivos que levou os massoretas a fazerem este trabalho importante e conversarem a leitura correta dos textos do Antigo Testamento.

 

Versão de Antônio Pereira de Figueiredo

 

Antônio Pereira de Figueiredo foi um padre nascido em Portugal, no ano de 1725. Neste momento, a igreja católica queria mais uma tradução de Bíblia para o seu povo, sentimento bem diferente ao da Idade Média. Antes de sua tradução, D. Diniz, rei de Portugal (127-1325 d.C.) traduziu os 20 primeiros capítulos de Gênesis para o Português, utilizando a Vulgata como base. D. João I (1385-1433 d.C.), mandou traduziu os evangelhos, atos e as epístolas paulinas, utilizando também a Vulgata.

O padre Figueiredo não tinha conhecimento das línguas originais da Bíblia, o hebraico, o aramaico e o grego. Por isso, não poderia fazer uma tradução baseada nas  línguas originais. Este fato levou-lhe a basear sua tradução de Bíblia para o português na Vulgata Latina (tradução feita por Jerônimo no século IV). O trabalho de tradução e revisão levou cerca de 18 anos. O Novo Testamento foi publicado no ano de 1778 e o Antigo Testamento nos anos de 1783 e 1790.

Alguns eruditos apresentam falhas na tradução de Figueiredo que são comuns em traduções de tradução. Se em uma tradução já ocorrem vários erros, imaginem em uma tradução de outra tradução! Além disso, a versão de Figueiredo é tida como tendenciosa em certas partes. Em I Pe 5:5, que na versão de Almeida diz “Sede sujeitos aos mais velhos”, Figueiredo traduziu por “apoiando honra aos padres”. Ele também traduz a expressão “sacerdotes”, em Jo 11:57, por pontífice. Embora para alguns isto tenha a intenção de facilitar a leitura, para quem tem um certo conhecimento da Teologia isto soa como algo tendencioso. Jamais pode-se traduzir o termo grego “presbyteros” por padres, como ele o fez. Anula a idéia dos textos originais e traz engano ao leitor.

 

Versão de João Ferreira de Almeida

 

João Ferreira de Almeida nasceu na cidade de Torres de Tavares, em Portugal, em cerca do ano 1628. Se converteu do Catolicismo ao Protestantismo aos 14 anos de idade, quando saiu de Portugal e foi viver na Malásia.

Aos 16 anos, em 1644, iniciou o processo de tradução da Bíblia para a língua portuguesa.  Porém, não se baseou em manuscritos gregos e hebraicos, mas sim em uma versão espanhola e traduções latina, francesa e italiana. Nesta época Almeida não conhecia o grego e o hebraico. Esta tradução não foi da Bíblia inteira, mas dos evangelhos e das epístolas do Novo Testamento.  Este trabalho levou aproximadamente 1 ano. Almeida também trabalhou na tradução de outros livros para a língua portuguesa e se opôs a algumas idéias do romanismo.

Tendo terminado o Novo Testamento, foram feitas revisões e correções, o que levou cerca de 10 anos. A tradução do Novo Testamento foi concluída em 1676, continuação daquilo que fez em sua juventude. O Novo Testamento foi revisado por ele após ter aprendido o grego, tendo como base o Textus Receptus, produzido por Erasmo no século XVI. A partir de 1681 começou a trabalhar na tradução do Antigo Testamento. Almeida faleceu entre 8 e 10 de outubro de 1691, tendo traduzido o Antigo Testamento até Ezequiel 48:21.

Para enriquecer o nosso texto, a Sociedade Bíblica do Brasil, em seu site www.sbb.org.br, diz sobre esta tradução: “Os princípios que regem a tradução de Almeida são os da equivalência formal, que procura seguir a ordem das palavras que pertencem à mesma categoria gramatical do original. A linguagem utilizada é clássica e erudita. Em outras palavras, Almeida procurou reproduzir no texto traduzido os aspectos formais do texto bíblico em suas línguas originais – hebraico, aramaico e grego – tanto no que se refere ao vocabulário quanto à estrutura e aos demais aspectos gramaticais”.

 

Outras Traduções em Português

 

     O povo brasileiro tem sido privilegiado na quantidade e na qualidade das traduções da Bíblia. Não só na variedade da linguagem, como também nas Bíblias de estudo, concordâncias, dicionários, mapas, comentários, etc. Uma pena que, com tamanho privilégio, as pessoas não aproveitam.

     O site da Sociedade Bíblica do Brasil, www.sbb.org.br, nos fornece um interessante quadro, comparando três versículos de três traduções desta instituição, a ARC (Almeida Revista e Corrigida), a ARA (Almeida Revista e Atualizada) e a NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Vejamos:

:: Almeida Revista e Corrigida

:: Almeida Revista e Atualizada

:: Nova Tradução na Linguagem de Hoje

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 A ARC é uma versão antiga, feita numa linguagem rebuscada. Lá o leitor pode verificar que são utilizadas palavras como “undécimo” e “duodécimo”, ao invés de “décimo primeiro” e “décimo segundo”. Derradeiro é empregado em lugar de último. É comum as pessoas não entenderem o que lêem nesta versão, pois muitas palavras utilizadas na ARC não são usadas no dia-a-dia. Temos que levar em conta que a versão original de Almeida utilizava uma linguagem difícil. Entretanto, esta tradução, a ARC, é de grande importância para o público evangélico brasileiro.

A ARA mudou alguns termos, mas é bastante semelhante à ARC. A palavra “caridade”, por exemplo, é substituída por “amor”. A NTLH, porém, é bem diferente das duas versões e utiliza uma linguagem bem mais popular, o que, naturalmente, facilita a leitura da Bíblia para o grande público, que não está acostumado a ler textos difíceis.

     A NVI (Nova Versão Internacional) também tem sido uma tradução amplamente divulgada no Brasil. Sua linguagem acessível tem contribuído para que os brasileiros que lêem as Escrituras a procurem. Vejamos um versículo: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas…” (Mt 7:15). O leitor atento observa que, diferentemente das outras versões, que utilizam a palavra “vós”, a NVI usa “vocês”. Mais um: “…para não dizer que você me deve a própria vida” (Fm 19). Na ARA, o texto fica assim: “Eu, Paulo, de meu próprio punho o escrevo, eu o pagarei, para não te dizer que ainda a ti mesmo a mim te deves”. Com certeza o versículo fica muito mais claro na NVI. A NVI costuma utilizar notas de rodapé quando insere no texto bíblicos versículos que costumam não estar nos manuscritos mais antigos ou até mesmo dizendo que há divergências de expressões nos textos gregos, quando é o caso. Além disso, as medidas e pesos estão convertidos na nossa forma de uso. Isso a fez substituir côvados por metros ou centímetros e talentos por quilos.

     Temos também a Bíblia Ecumênica, uma boa tradução católica. Utiliza uma linguagem mais fácil, mas não muito informal. O versículo de Filemon 19 fica assim nesta versão: “Eu não preciso recordar-te que tu também tens comigo uma dívida, que és tu mesmo”. Na NVI o pronome de tratamento empregado é “você”, enquanto na Bíblia Ecumênica permanece o “tu”. De qualquer forma, o versículo fica mais fácil de entender nestas duas versões do que na ARC ou na ARA. Um versículo polêmico fica assim na B.E.: “Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e meus companheiros de cativeiro. Eles são apóstolos eminentes e pertenceram a Cristo mesmo antes de mim” (Rm 16:7). Vejamos como fica na ARA: “Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros de prisão, os quais são bem conceituados entre os apóstolos, e que estavam em Cristo antes de mim”. Qual a diferença? Na Bíblia Ecumênica, claramente Andrônico e Júnias são chamados de apóstolos. Tal tradução, se estiver correta, revolucionaria a idéia sobre o ministério feminino de liderança, já que Júnias, uma mulher, é tratada como apóstola. A ARA, porém, dá uma idéia totalmente diferente, como se ela fosse bem conceituada entre os apóstolos, não fazendo parte deles.

     O seguinte versículo é omitido na Bíblia Ecumênica: “Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; então o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse” (Jo 5:4). Na realidade, tal versículo não se encontra nos manuscritos mais antigos e, provavelmente, a atitude de omiti-lo é correta, talvez representando o texto original.

A Marcha Triunfal de Cristo

por Gary Fisher

 

É óbvio que a marcha triunfal de Jesus começou imediatamente após a queda, quando Deus deu aos primeiros transgressores a boa e distante notícia de que o descendente da mulher feriria a cabeça da serpente, a causadora de todo o mal (Gn 3.15).

Continuou com a misericordiosa e soberana chamada de Abraão em Ur dos caldeus, alguns anos depois do dilúvio (Gn 12.1-3), a cujos descendentes foram confiados os oráculos de Deus (Rm 3.2).

Quando, na agenda da redenção, chegou a plenitude do tempo, Deus então enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido da descendência de Abraão, a fim de redimir os que estavam sob a lei, sob a dura lex, sob a condenação da queda, do pecado coletivo e do pecado pessoal, para que recebessem a redenção aqueles que o reconhecem como Senhor e Salvador (Gl 4.4).

Embora, segundo os critérios deste mundo, a marcha de Jesus rumo a Jerusalém, rumo ao Getsêmani, rumo ao Gólgota e rumo ao cemitério particular de José de Arimatéia pareça uma melancólica e fatídica marcha fúnebre, ela foi, sem exagero algum, a mais difícil e a mais encantadora marcha triunfal de todos os tempos. Para chegar até a cruz, Jesus experimentou uma tristeza mortal (Mt 26.38), suou sangue (Lc 22.44), dispensou a interferência das doze legiões de anjos à sua disposição (Mt 26.53), negou-se a si mesmo (Mt 26.39), não abriu a boca e deixou-se levar para o matadouro (Is 53.7; Jo 10.18).

Sua ressurreição física e corpórea, três dias depois da morte, foi outra vitória espetacular, que modificou por completo e para sempre o ânimo, a teologia e a pregação dos primeiros e de todos os seguintes cristãos.

Depois de ter feito a purificação dos pecados, depois de sua morte voluntária e vicária, depois de sua ressurreição, depois de ter se apresentado vivo com muitas provas indiscutíveis pelo espaço de quarenta dias (At 1.3), Jesus foi elevado ao céu (Lc 24.51) e “se assentou à direita da Majestade nas alturas” (Hb 1.3). E, a partir daí, Ele está colocando progressivamente “todos os inimigos” debaixo dos pés (1 Co 15.25). O que Paulo chama de inimigos são “forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo e até mesmo levando os homens à morte”, como querem os tradutores da Edição Pastoral da Bíblia. São todos “os poderes hostis ao Reino de Deus”, como acrescenta a Bíblia de Jerusalém. Paulo não faz uma lista nominal de “todos os inimigos”. Apenas nomeia um deles: “O último inimigo a ser destruído é a morte”

(1 Co 15.26). Já que a morte é “a angústia básica de todo ser humano” (Ana Maria Barbosa), “a grande neurose das civilizações” (Roberto Chabo), “uma das mais teimosas e iniludíveis manifestações da finitude e impotência humana” (J.J.Tamoyo) e “a mais fria de todas as anti-utopias” (Dicionário da Pastoral) — é possível aquilatar o tamanho e o brilho da marcha triunfal de Jesus.

Depois de destruir todo domínio, toda autoridade e todo poder hostil a Deus, ao gênero humano e à criação, e de colocar tudo sob seus pés, então Jesus virá segunda vez em poder e muita glória (Mt 24.30), os vivos serão transformados, os mortos serão ressuscitados, os empedernidos serão condenados e Satanás será lançado em algum lugar equivalente a um “lago de fogo e enxofre” para ser atormentado “dia e noite, para todo sempre” (Ap 20.10). Então haverá novos céus e nova terra e todos os salvos pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo viverão no tabernáculo de Deus e contemplarão a sua face por eras que tombam sobre eras numa eterna sucessão (Ap 21.3, 22; 22.4,5)!

É aí que termina a marcha triunfal de Jesus, que começou no jardim do Éden, logo após o primeiro fracasso humano.

Mesmo agora, “já se vê a tua marcha triunfal, ó Deus, a marcha do meu Deus e Rei adentrando o santuário. À frente estão os cantores, depois os músicos; com eles vão os jovens tocando tamborins” (Sl 68.24,25). Aleluia! Amém!

Estudo sobre o Fim dos Tempos

 Existem ainda outras expressões ao longo da Bíblia que também fazem menção a este mesmo período, por exemplo: o fim – Mateus 24:14
“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”
  últimos tempos – Judas 1:18
“Os quais vos diziam que nos últimos tempos (no fim dos tempos) haveria escarnecedores [que procuram gratificar seus próprios desejos irreverentes] que andariam segundo as suas ímpias concupiscências.” 
o tempo do fim – Daniel 12:9. “E ele [o anjo] disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até o tempo do fim.